Natura (NATU3): BofA eleva recomendação após entrada da Advent
O cenário para as ações da Natura (NATU3) sofreu uma guinada significativa nesta virada de trimestre. O Bank of America (BofA) elevou a recomendação dos papéis da gigante de cosméticos de neutra para compra, estabelecendo um novo preço-alvo de R$ 14,00 para o final de 2026. Este valor representa um salto considerável em relação aos R$ 9,00 projetados anteriormente, sinalizando uma renovada confiança do mercado financeiro na estratégia de reestruturação da companhia.
A decisão dos analistas, liderados por Robert Aguilar, fundamenta-se em dois pilares centrais: o anúncio da entrada da gestora global de private equity Advent International no capital da empresa e uma reformulação sem precedentes na estrutura de governança. Essas mudanças marcam o fim de um ciclo executivo direto para os fundadores da marca e o início de uma fase focada em disciplina financeira e eficiência operacional na América Latina.
Qual o impacto da entrada da Advent International na Natura?
De acordo com fatos relevantes divulgados pela companhia e repercutidos pelo portal InfoMoney, a Advent International firmou um compromisso vinculante para adquirir uma participação minoritária relevante, situada entre 8% e 10% do capital total da Natura. A operação será realizada integralmente via mercado secundário, o que significa que a gestora comprará ações de investidores atuais ao longo dos próximos seis meses.
O acordo estabelece um preço médio de referência de R$ 9,75 por ação. Para o mercado, a chegada de um investidor institucional com o histórico da Advent — que já possui expertise no setor de beleza no Brasil através de investimentos em marcas como Skala e Lola From Rio — sinaliza uma busca por maior rigor na alocação de capital. O BofA destaca que a presença da Advent deve atuar como um catalisador para destravar valor, especialmente após anos de reestruturação complexa que envolveram a venda de ativos internacionais como Aesop e The Body Shop.
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Como a saída dos fundadores altera a governança da companhia?
Além do aporte financeiro indireto, a Natura anunciou uma alteração profunda em seu comando. Os três fundadores da companhia — Luiz Seabra, Guilherme Leal e Pedro Passos — decidiram renunciar aos seus assentos no Conselho de Administração. Eles migrarão para um recém-criado Conselho Consultivo, um órgão estatutário focado na preservação da cultura e do DNA da marca, mas sem poderes deliberativos ou executivos sobre a operação diária.
Acompanhando os fundadores, Fabio Barbosa também deixará o cargo de chairman (presidente do conselho) após concluir a missão de simplificação corporativa. Para o seu lugar, foi proposto o nome de Alessandro Carlucci, executivo que foi CEO da Natura entre 2005 e 2014, período de forte expansão da empresa. Essa transição é vista pelo BofA como um passo fundamental para a profissionalização total da gestão, reduzindo a influência direta das famílias fundadoras nas decisões de mercado.
A nova composição do Conselho de Administração
Com a saída dos fundadores, o Conselho ganha uma face mais voltada à execução e resultados financeiros. A Advent International terá o direito de indicar dois dos nove membros do colegiado. A nova chapa proposta inclui nomes estratégicos:
- Alessandro Carlucci: Indicado para Presidente do Conselho;
- João Paulo Ferreira: Mantido como CEO da Natura;
- Duda Kertész: Executiva com vasta experiência no setor de consumo global;
- Representantes dos family offices dos fundadores (Luiz Guerra, Pedro Villares e Guilherme Passos).
Por que o Bank of America projeta preço-alvo de R$ 14?
A análise do Bank of America sugere que a Natura está entrando em um ciclo de expansão e rentabilidade após o que foi classificado como o ano de reset em 2025. A tese de investimento do banco baseia-se na capacidade da nova governança em focar exclusivamente na operação da América Latina, onde a marca Natura mantém liderança absoluta e forte poder de precificação.
Um ponto crucial para o investidor entender é a saúde financeira real da empresa. É necessário esclarecer que a Natura reverteu o prejuízo anual em 2025, registrando lucro líquido no consolidado do ano. No entanto, o quarto trimestre de 2025 especificamente ainda apresentou uma perda líquida de R$ 321 milhões. Para o BofA, esse resultado trimestral negativo não anula a tendência de melhora, sendo reflexo de ajustes finais na integração com a Avon e baixas contábeis de ativos descontinuados.
Os analistas esperam que a entrada da Advent pressione por uma revisão sistemática da estrutura de custos. Conforme o relatório do banco, há espaço para aprimorar a arquitetura de preços e eliminar ineficiências logísticas. Com a conclusão das vendas de ativos e a desalavancagem financeira, a Natura chega a 2026 com um balanço mais limpo, permitindo que o foco volte para o crescimento orgânico e a inovação de produtos.
Quais os riscos e perspectivas para o investidor em 2026?
A resposta dos investidores ao anúncio foi imediata. No pregão de 31 de março de 2026, as ações NATU3 lideraram as altas do Ibovespa, encerrando o dia com valorização de 12,99%, cotadas a R$ 10,44. O volume de negociação foi significativamente superior à média histórica, refletindo o otimismo com a nova fase da companhia.
Apesar do entusiasmo, o BofA e outros analistas de mercado, como os do BTG Pactual, alertam que a execução do plano da Advent possui condicionantes. O compromisso de compra pode ser rescindido caso o preço das ações no mercado ultrapasse consideravelmente o teto estipulado no acordo em um curto período, ou se a gestora não conseguir montar a posição desejada no prazo de seis meses.
Para o investidor de longo prazo, a mensagem principal é a de profissionalização. A transição dos fundadores para um papel consultivo retira o peso da gestão familiar sobre as decisões de negócio, enquanto a chegada de um sócio financeiro de peso impõe métricas de retorno mais rigorosas. O preço-alvo de R$ 14,00 implica um potencial de valorização (upside) de aproximadamente 34% em relação ao fechamento atual, consolidando a Natura como uma das principais apostas de recuperação no setor de varejo e consumo para o biênio 2026-2027.